6.3.02

a.partida
Este blog começou como uma brincadeira besta, sugestão do Moraes, numa noite de muitas ocupações e pre.ocupações, em Londrina. E morre hoje, tarde quente de São Paulo, cheia também de ocupações e pre.ocupações. Menos imporantes, evidentemente.
Quem mata um blog não o faz por prazer, sadismo ou paranóia. Assim é comigo. Termino com a ação, mas não com o produto. Quando inventei o Tolos, o fiz sem compromisso com nada. Nem com a seriedade, nem com o escracho. Nem com a realidade, nem com o sonho. Nem com o feio, nem com o belo. O fiz, apenas. E naqueles dias eram poucos os blogs. Eu mesmo nunca soube o que um blog, pergunta que me atormenta até hoje. Hoje os blogs são muitos. Então me sinto desnecessário. Sou da segunda geração de blogueiros, aquela que tateou sem saber o que fazia. No escuro da web. E fez. Inventou alguma coisa. No caso, Tolos foi uma invenção-brinquedo. Uma forma de driblar as dores cotidianas, os medos e anseios da vida adulta. Tinha prazer em falar do TCC, mas medo em crescer e assumir as responsabilidades com o canudo embaixo do braço. Então o blog era o divã. O confessionário. O ponto de encontro e convergência de anseios coletivos, dores iguais e sonhos parecidos. E passou boi. Passou boiada. Muitos e-mails. Grande parte deles, perdida em dois HDs que se destruíram. Então os contatos se foram também. Uma pena. Um alívio (seria impossível ser justo e leal com todos os que mantiveram contato através do Tolos).
Este tolos perde a razão de existência quando deixa de publicar palavra-revelação. Quando esquece a sensibilidade. Quando deixa escapar as borboletas coloridas que pousam no cimento. Hoje elas escapam. Eu dou um sorriso para o belo que vejo no feio. E o flerte para aí. Não consigo escrever mais. Não tenho tempo. Não tenho empenho. Então este blog, desavisado, se torna burocrático. Chato. Previsível. Não atrapalha ninguém, mas também não ajuda em nada.
Não quero que se entenda aqui que blogs devem ter utilidades. Não é isso. Mas um blog assim, burocrático, perde sua essência natural. Se era um blog-brinquedo, vira um carrinho sem rodas, uma boneca sem braços, uma bola furada. Um brinquedo não tem utilidade, mas uma finalidade. Este blog se perdeu. Este que vos escreve se perdeu, também.
Eu luto para construir uma vida melhor. E aqui, no meio do caos, procuro um locus amenos parnasiano. Às vezes encontro, mas dele não usufruo. Então se vai. A medida do tempo final é que tenho chorado muito pouco. E um Rodrigo seguro não é um bom Rodrigo. Garanto como conhecedor de causa. Preciso ler mais poesia, preciso escrever cartas, preciso ouvir mais música, preciso chorar mais. Então terei algo para falar.
Pelo menos uma coisa me consola: que se este blog ficou burocrático porque minha vida se burocratizou. Se perdeu um pouco em reuniões, almoços, encontros. Reuniões e fechamentos; fechamentos e reuniões. Então, por uma lógica quase cartesiana, este blog foi sincero com quem o leu. E isso é bom.
Tem tanta coisa que eu queria contar. Mas não é tempo. Não há tempo. Tem muita gente boa espalhada no mundo blogueiro. Muita gente com idéia correta, texto bom e empenho grande.
O tempo agora é de agradecer ao Moraes por ter me apresentado ao blog como possibilidade de desenlouquecer, ao Esper porque ele que segurou a onda toda a vez que quis parar de escrever, a quem me leu, a quem elogiou este modesto espacinho, a quem manifestou o quanto eu pude ser bom com meu texto e com minhas idéias.
triste, mas aliviado
e chorando,

5.3.02

ponto
Este blog se vai.

4.3.02

tarefas.do.dia
+ apagar os e-mails da caixa de entrada do Outlook da redação: mais de 3 mil mensagens foram para a lixeira.
+ marcar entrevistas com Bernardo Ajzemberg, com algum psicanalista, com um sociólogo e procurar dados de audiência da Casa dos Artistas e Big Brother Brasil
+ ler o paper "O poder dos Fait Divers no jornalismo: humor, espetáculo e emoção", de Fábia Dejavite
+ assistir ao vivo a transmissão do Roda Viva com José Serra
+ escovar os dentes
+ comer um último bis, que está em cima da geladeira
+ escovar os dentes
+ dormir

2.3.02

da eficiência do tolos e da minha eficiência
Não quero continuar a escrever neste blog, mas ele pega minha mão e me obriga. Estamos lutando. Com foice e flores. Estamos lutando.
massagem.na.alma
Carlos Vogt me deu um presente, hoje. Para quem não sabe, Vogt é poeta. E nas horas vagas foi reitor da Unicamp etc e tal. A primeira vez que li um livro de Vogt foi nos meus 15 anos. Era 1993, CEFAM em Tupã e o livro era um pequeno volume de capa prateada, o Metalurgia. E nesses tempos tão difíceis, reencontro Vogt através de contatos. Um aluno da oficina de webjornalismo trabalha em um site onde o poeta é editor. E levou o recado antiquíssimo ao Vogt. "Que eu admiro sua poesia, que sua palavra é reveladora e salvadora e que ando precisando de poesia nesses tempos de trabalho.trabalho.trabalho". Então Vogt me manda uma cópia xérox de seu livro, que está esgotado. E eu fico aqui, contando o tempo no relógio para voltar a ter 15 anos e uma inocência poética que perdi nesses últimos dias.

com.partilhar
Herói
Eu só me perco por um descuido dos deuses.
Como os deuses cochilam na eternidade,
certamente me perderei.

Nova Freudiana
A TV para quem
tem fome:
- Desliga-me,
ou me consome.

Morfologia do Conto
Uma relação
feita de claros dias
de trabalho
e noites vazias
de solidão

Otimismo
Nós dois jamais fracassamos juntos
sempre apostamos no certo
na hora errada
chegamos perto

{tudo isso é Vogt, em Metalurgia [é palavra que salv'alma]}
uma.semana.depois
Eu ainda vivo, apesar dos rumores.

23.2.02

tapete
Hoje o Marquinhos, um amigo que estudou comigo no segundo grau, em Tupã, e atualmente mora em Araraquara mas trabalha em São Carlos vem para São Paulo e vai em casa. À noite o sortudo embarca para a Espanha. E nós, bem, nós ficamos aqui mesmo em terras tupiniquins. Ad Saecula Saeculorum.

velocidade
Por isso acordei às 6 horas, mais cedo que o habitual, e tratei de dar um tapa de limpeza no apartamento. Comecei varrendo o quarto e fui cuidando de deixar a casa apresentável para a ilustre visita. O problema foi o lixo. Quando resolvi jogar fora as frutas estragadas e mexer no lixinho da pia, tive que sair correndo e, digamos, chamar o Xico ali no banheiro. Sim, e depois lavei o banheiro. Tudo isso antes de vir dar aula nas Oficinas de Webjornalismo da Revista Imprensa.

notícias.da.semana
+ A Mariana Duccini voltou da França e me deu uma meia.
+ A mesma Mariana tropeçou e caiu em cima do túmulo do Sartre e Simone.
+ Sim, Sartre e Simone não se toleraram a vida toda mas hoje dividem o mesmo sepulcro.
+ A revista foi para a gráfica na quarta-feira.
+ Meu dinheiro acabou.

verdade
Tem uma história tão boa e tão comovente de se contar que penso que as palavras, coitadas, não vão ser suficiente. Se eu for convencido a blogar o que aconteceu comigo, um taxista e meu passado tão distante, blogo. Se não, não.

19.2.02

juba
Comecei a usar arquinho. Daqueles de cabelos.

ontem
Fui no debate da Publifolha, com Marcelo Coelho, Eliane Cantanhêde, Eugênio Bucci, Luis Nassif e Bernardo Ajzemberg. Eles discutiram "O País no Jornal" para comemorar os 80 anos da Folha de S. Paulo e lançar o livro "Figuras do Brasil. 80 Autores em 80 Anos de Folha". Foi no Teatro Folha, no Shopping Pátio Higienópolis.

underlined
Tem um ego, essa Folha, não?

duas.musas
Mas o melhor não foi o debate, nem o livro, nem o champagne. Nem nada. Foi encontrar Lygia Fagundes Telles e conversar pessoalmente com Eliane Cantanhêde, depois de uns e-mails e uns papos por telefone. Ela me lembra muito a querida Carina Pacola. Penso que talvez elas se dessem bem.

tipos
Quando leio o tipos tenho uma sensação de que o mundo.londrina corre ali e eu aqui, em SP, correndo atrás do que não sei. E é verdade que o mundo.londrina nem corre em Londrina mais. Parte corre em Curitiba. Outros se espalharam: Paranavaí, Alemanha, Londres, França, São Paulo, Tocantins. Me deu saudade, hoje, na hora do banho. Então fechei os olhos e voltei para aquela terra vermelha e linda. Depois atravessei a Ipiranga e vim para a revista. É dia.

.
Estamos fechando.

18.2.02

assista
O Fabuloso Destino de Amelie Poulain.

veja
O Fabuloso Destino de Amelie Poulain.

formigue
O Fabuloso Destino de Amelie Poulain.