a.partida
Este blog começou como uma brincadeira besta, sugestão do Moraes, numa noite de muitas ocupações e pre.ocupações, em Londrina. E morre hoje, tarde quente de São Paulo, cheia também de ocupações e pre.ocupações. Menos imporantes, evidentemente.
Quem mata um blog não o faz por prazer, sadismo ou paranóia. Assim é comigo. Termino com a ação, mas não com o produto. Quando inventei o Tolos, o fiz sem compromisso com nada. Nem com a seriedade, nem com o escracho. Nem com a realidade, nem com o sonho. Nem com o feio, nem com o belo. O fiz, apenas. E naqueles dias eram poucos os blogs. Eu mesmo nunca soube o que um blog, pergunta que me atormenta até hoje. Hoje os blogs são muitos. Então me sinto desnecessário. Sou da segunda geração de blogueiros, aquela que tateou sem saber o que fazia. No escuro da web. E fez. Inventou alguma coisa. No caso, Tolos foi uma invenção-brinquedo. Uma forma de driblar as dores cotidianas, os medos e anseios da vida adulta. Tinha prazer em falar do TCC, mas medo em crescer e assumir as responsabilidades com o canudo embaixo do braço. Então o blog era o divã. O confessionário. O ponto de encontro e convergência de anseios coletivos, dores iguais e sonhos parecidos. E passou boi. Passou boiada. Muitos e-mails. Grande parte deles, perdida em dois HDs que se destruíram. Então os contatos se foram também. Uma pena. Um alívio (seria impossível ser justo e leal com todos os que mantiveram contato através do Tolos).
Este tolos perde a razão de existência quando deixa de publicar palavra-revelação. Quando esquece a sensibilidade. Quando deixa escapar as borboletas coloridas que pousam no cimento. Hoje elas escapam. Eu dou um sorriso para o belo que vejo no feio. E o flerte para aí. Não consigo escrever mais. Não tenho tempo. Não tenho empenho. Então este blog, desavisado, se torna burocrático. Chato. Previsível. Não atrapalha ninguém, mas também não ajuda em nada.
Não quero que se entenda aqui que blogs devem ter utilidades. Não é isso. Mas um blog assim, burocrático, perde sua essência natural. Se era um blog-brinquedo, vira um carrinho sem rodas, uma boneca sem braços, uma bola furada. Um brinquedo não tem utilidade, mas uma finalidade. Este blog se perdeu. Este que vos escreve se perdeu, também.
Eu luto para construir uma vida melhor. E aqui, no meio do caos, procuro um locus amenos parnasiano. Às vezes encontro, mas dele não usufruo. Então se vai. A medida do tempo final é que tenho chorado muito pouco. E um Rodrigo seguro não é um bom Rodrigo. Garanto como conhecedor de causa. Preciso ler mais poesia, preciso escrever cartas, preciso ouvir mais música, preciso chorar mais. Então terei algo para falar.
Pelo menos uma coisa me consola: que se este blog ficou burocrático porque minha vida se burocratizou. Se perdeu um pouco em reuniões, almoços, encontros. Reuniões e fechamentos; fechamentos e reuniões. Então, por uma lógica quase cartesiana, este blog foi sincero com quem o leu. E isso é bom.
Tem tanta coisa que eu queria contar. Mas não é tempo. Não há tempo. Tem muita gente boa espalhada no mundo blogueiro. Muita gente com idéia correta, texto bom e empenho grande.
O tempo agora é de agradecer ao Moraes por ter me apresentado ao blog como possibilidade de desenlouquecer, ao Esper porque ele que segurou a onda toda a vez que quis parar de escrever, a quem me leu, a quem elogiou este modesto espacinho, a quem manifestou o quanto eu pude ser bom com meu texto e com minhas idéias.
triste, mas aliviado
e chorando,
Este blog começou como uma brincadeira besta, sugestão do Moraes, numa noite de muitas ocupações e pre.ocupações, em Londrina. E morre hoje, tarde quente de São Paulo, cheia também de ocupações e pre.ocupações. Menos imporantes, evidentemente.
Quem mata um blog não o faz por prazer, sadismo ou paranóia. Assim é comigo. Termino com a ação, mas não com o produto. Quando inventei o Tolos, o fiz sem compromisso com nada. Nem com a seriedade, nem com o escracho. Nem com a realidade, nem com o sonho. Nem com o feio, nem com o belo. O fiz, apenas. E naqueles dias eram poucos os blogs. Eu mesmo nunca soube o que um blog, pergunta que me atormenta até hoje. Hoje os blogs são muitos. Então me sinto desnecessário. Sou da segunda geração de blogueiros, aquela que tateou sem saber o que fazia. No escuro da web. E fez. Inventou alguma coisa. No caso, Tolos foi uma invenção-brinquedo. Uma forma de driblar as dores cotidianas, os medos e anseios da vida adulta. Tinha prazer em falar do TCC, mas medo em crescer e assumir as responsabilidades com o canudo embaixo do braço. Então o blog era o divã. O confessionário. O ponto de encontro e convergência de anseios coletivos, dores iguais e sonhos parecidos. E passou boi. Passou boiada. Muitos e-mails. Grande parte deles, perdida em dois HDs que se destruíram. Então os contatos se foram também. Uma pena. Um alívio (seria impossível ser justo e leal com todos os que mantiveram contato através do Tolos).
Este tolos perde a razão de existência quando deixa de publicar palavra-revelação. Quando esquece a sensibilidade. Quando deixa escapar as borboletas coloridas que pousam no cimento. Hoje elas escapam. Eu dou um sorriso para o belo que vejo no feio. E o flerte para aí. Não consigo escrever mais. Não tenho tempo. Não tenho empenho. Então este blog, desavisado, se torna burocrático. Chato. Previsível. Não atrapalha ninguém, mas também não ajuda em nada.
Não quero que se entenda aqui que blogs devem ter utilidades. Não é isso. Mas um blog assim, burocrático, perde sua essência natural. Se era um blog-brinquedo, vira um carrinho sem rodas, uma boneca sem braços, uma bola furada. Um brinquedo não tem utilidade, mas uma finalidade. Este blog se perdeu. Este que vos escreve se perdeu, também.
Eu luto para construir uma vida melhor. E aqui, no meio do caos, procuro um locus amenos parnasiano. Às vezes encontro, mas dele não usufruo. Então se vai. A medida do tempo final é que tenho chorado muito pouco. E um Rodrigo seguro não é um bom Rodrigo. Garanto como conhecedor de causa. Preciso ler mais poesia, preciso escrever cartas, preciso ouvir mais música, preciso chorar mais. Então terei algo para falar.
Pelo menos uma coisa me consola: que se este blog ficou burocrático porque minha vida se burocratizou. Se perdeu um pouco em reuniões, almoços, encontros. Reuniões e fechamentos; fechamentos e reuniões. Então, por uma lógica quase cartesiana, este blog foi sincero com quem o leu. E isso é bom.
Tem tanta coisa que eu queria contar. Mas não é tempo. Não há tempo. Tem muita gente boa espalhada no mundo blogueiro. Muita gente com idéia correta, texto bom e empenho grande.
O tempo agora é de agradecer ao Moraes por ter me apresentado ao blog como possibilidade de desenlouquecer, ao Esper porque ele que segurou a onda toda a vez que quis parar de escrever, a quem me leu, a quem elogiou este modesto espacinho, a quem manifestou o quanto eu pude ser bom com meu texto e com minhas idéias.
triste, mas aliviado
e chorando,
